terça-feira, maio 06, 2003

Não Sabes
Quando alta noite n'amplidão flutua
Pálida a lua com fatal palor,
Não sabes, virgem, que por ti suspirro
E que deliro a suspirar de amor.

Quando no leito entre sutis cortinas
Tu te reclinas indolente aí,
Ai! Tu não sabes que sozinho e triste
Um ser existe que só pensa em ti

Lírio dest'alma, sensitiva e bela,
És minha estrêla, meu viver, meu Deus.
Se olhas - me rio, se sorris - me inspiro,
Choras - deliro por martírios teus.

E tu não sabes dêste meu segrêdo,
Ah! Tenho medo do teu rir cruel!...
Pois se o desprêzo fôsse a minha sorte
Bebera a morte neste amargo fel.

Mas dá-me a esperança num olhar quebrado,
Num ai magoado, num sorrir do céu,
Ver-me-ás dizer-te na febril vertigem:
"Não sabes virgem? Meu futuro é teu!"

Bahia, 11 de Novembro de 1865.
Castro Alvez - Poesias Completas
(texto original, Essa é uma de minhas favoritas)

Essa eh pra dany, tô sentindo mt sua falta!!!!!!

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